Imagen de Antonio Corredera
Imagen de Antonio Corredera

Com a mesma ilusiõ de fai um ano, uno-me à celebraciõ do aniversário do nacimento do nosso queriu digitalino e agradecendo a demanda de Sara, nesta ocasiõ e por primeira vez num meio de comunicaciõ pública, o fago em xalimego.

Despois de trés anos falando da Serra e como na Serra se fala, é mais que um diário a ventã que nos mostra ao levantal-mos os primeiros canoros cantos invocando a saída do sol, o aroma do pã recém-feito e a cadência lenta de um rincõ que se desperta mentras enceta um novo dia de ilusiõs.

Agora, a trés anos vista do tei alumbramento sou incapaz de imaginal-me abril os quarteirõs da ventã sem sentil a tua fresca brisa falando-mos do mais cercano.

Se tu faltasses seria como noite escura sem candil que nos ensinasse aos serragatinos e aos de fora o que aqui passa. Seria tamém algo assina como se nos havéssemos morto porque o nosso respiral cotidiano quedaria calau nesta maranha de zeros e uns que conformam a maior via de comunicaciõ jamais sonhá.

Se tu te morres, um poico de mim, um poico de nós morre contigo.

Se tu morresses seria como si amordaçassem a nossa Serra.

Desde que vinheste ao mundo a Serra é mais regiõ porque defines o nosso horizonte comum mentras agrandas o número dos que nos sentíamos vizinhos.

Se tu faltaras sentiria a dor da ausência dos teis miaus em lagarteiru, manhegu e valverdeiru.

Demostras muta valentia dedicando ũa cantareria a recolhel só as águas que nos manda o fuscu deo salamati, das que bebemos os xalimego-falantes.

Que seria de nós sem água e sem o aire?

Que seria de nós sem os teis miaus?

Ei  nego-me a sabé-lo, por isso vos animo a que sigais deixando livre os buracos nas vossas portas para que o nosso digitalino entre e saia ronronando de felicidai.

Brindo por oitro ano mais mentras nos fais sentil que estamos vivos, mentras sigues dizendo ao mundo que estamos vivos e, mentras tu si que cumpres com a Carta Europea das Línguas minoritarias regionais.

Soide e beijos.  

Notas: Teniendo en cuenta que las falas lagarteira, mañega y valverdeira forman parte de lo que generalmente llamamos a Fala -para mí xalimego- y que ésta de forma casi unánime se dice que viene del galaico-portugués medieval; sin entrar a explicar los aspectos más singulares a tener en cuenta sobre lo escrito; recomiendo que las letras (e, o) formando parte de las silabas átonas o de final de palabras, las pronunciéis como (i, u).

Esta evolución hacia el xalimego escrito, lo es gracias fundamentalmente a la guía de mi querido amigo, el filólogo Eduardo Sanches Maragoto.

   

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